Pérolas = Ciro McCord
Acontece Design FilmesPublicado May 14, 2010 em 2:09 pm 1 CommentComo já dito neste espaço cibernético, a Internet democratizou o audiovisual e, um belo exemplo é Ciro McCord. Dispensando comentários, acompanhe a entrevista e deguste sua obra!
Só dele:
Em parceria:
Ficha Técnica:
Nome:Â Ciro MacCord
Cidade: Curitiba / PR (na verdade nasci em Minas, morei no Rio e agora moro aqui)
Idade: 22
Site: autoral: www.flickr.com/carbonocanibal / “normal”: www.carbonocanibal.com.br
Blog: (finalizo agora no meio do ano, este blog funcionou como ferramenta de pesquisa, mas tem coisas interessantes): projetoultralice.blogspot.com
Profissão: Designer gráfico
Entrevista
Como começou seu interesse por pelÃculas?
Pelos filmes de terror. Quando moleque, era fascinado de uma forma quase obcecada pelo clima de medo, sobrenatural e sobrevivência, tão distantes de mim na realidade. Um tempo depois fui entender que não era propriamente o terror que me fascinava, mas a capacidade de me despertar sensações e lampejos de percepção que figuravam além do meu pequeno universo. É como se o cinema, e também outras artes, tivessem o poder de submergir o ser humano em novos tipos de percepção (racional e irracional), do mundo e de si, podendo ou não resultar em questionamentos. O cinema me envolveu porque ele é capaz de fazer isso, geralmente, em um longo perÃodo de tempo.
Um filme é tão “falso” quanto outras formas de arte?
Se esta “falsidade” é a natureza metafórica e simbólica das artes (e, ao não exigir literalidade, ela é tão verdadeira quanto a natureza palpável dos objetos), sim. Se um filme é capaz de excitar novas formas de perceção, a revivência de memórias ou a vivência dos sonhos – tudo o que é puramente simbólico, ele se iguala. Só me parece haver uma questão um puco diferente aÃ, que é a do cinema trabalhar também com a linguagem verbal. Ao meu ver isso pode ser tanto uma vantagem quanto um perigo, vai depender da sensibilidade para que uma linguagem não se sobreponha a outra, ou mesmo não tente explicar a outra.
No Carbono Canibal vi que tem trabalhos publicados na revista Idéia Fixa. Qual sua relação com a ilustração?
Sou designer gráfico, então minhas idéias e sensações sempre foram canalizadas na expressão visual, e as ilustrações que faço são igualmente a tentativa de simbolizar essas percepções indicionarizáveis. O legal da coisa estática é que ela me parece mais facilmente preenchÃvel de muitas e muitas camadas, que vão sendo descobertas só quando se observa uma mesma “cena” durante um certo tempo. Essa caracterÃstica me faz parecer que a expressão estática foge das leis do tempo, tanto o criador quanto o observador criam sua própria noção de temporalidade, mesmo que tudo esteja ali, aparentemente parado.
O que a Internet mudou em sua vida artÃstica?
Considero que mudou de duas maneiras (que no fim representam o mesmo processo). A descoberta de um espaço onde quase qualquer pessoa pode publicar suas idéias, expressões e experiências e ainda replicar em grande escala as idéias, expressões e experiências de outras pessoas em um curto espaço de tempo foi e está sendo determinante pra transformação das minhas próprias – a minha fome me faz consumir e ir atrás de coisas em um emaranhado que parece infinito. E já no outro lado da “corrente”, eu também tenho a possibilidade de publicar os resultados dessa transformação toda, podendo alcançar e tocar um número grande de pessoas. Essa possibilidade trouxe reconhecimento para o meu trabalho, o que acaba gerando oportunidades profissionais.
Qual espaço seus vÃdeos pretendem frequentar na cabeça das pessoas? O que deseja causar?
Sou meio “obcecado” pelas questões da consciência e da existência, então lá no fundo acho que tento simbolizar as dúvidas e a incerteza sobre tudo isso no trabalho que eu faço. A gente tá tão acostumado a imaginar que as coisas já estão todas bem amarradas e explicadas, que esquece que, no fundo, tudo não passa de um nonsense sem propósito, e que deverÃamos supor, imaginar e perguntar muito mais do que fazemos no dia-a-dia.
Um filme na cabeça é uma arma na mão?
Um filme na cabeça de alguém que vai produzir esse filme pode até ser considerado uma arma na mão, dependendo da intenção. Lá no fundo, pra mim, todo artista tem uma pretensão minimamente proselitista, e, sendo bem dualista, se esse proselitismo propaga a idéia de que as coisas podem ser vistas de diferentes formas, não considero arma, se já procura arrebanhar multidões para uma única idéia ou caminho, talvez seja perigoso como uma.
O que pretende? Tem sonhos? Quais?
Pretendo continuar solidificando minha posição profissional e encontrando oportunidades através do meu trabalho, sem solidificar minhas idéias e a noção de que tudo é sempre dinâmico, o que nem sempre é fácil. Tenho o sonho de me envolver com projetos cinematográficos e artÃsticos maiores, de dispor de boas ferramentas pra isso e de encontrar pessoas que estejam a fim de levar essa coisa surrada de arte, metáfora e sÃmbolo a sério.
O que nos indica para assistir, ouvir, ler?
Vou parecer clichê, sem dúvidas: David Lynch, Jodorowsky, Tarkovsky, Cronenberg e Carpenter são ótimas pedidas para assistir! Já pra ler, Jung, Aldous Huxley, Stanislav Grof, Castañeda e George Orwell são simplesmente ducaralho.
Se vc fosse uma quimera (tivesse um corpo de um animal e três cabeças de outros animais), como seria?
Questão difÃcil, acho que eu preferiria ser uma quimera completamente alienÃgena.


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