CHINAMAN

O menino arretado de Recife! A jóia rara. China, ou Chinaman (para os internautas) é um artista que se destaca pela inquietude e profissionalismo. Ex-vocalista da banda Sheik Tosado, referência que pode ser descartada, pois seu trabalho atual é merecedor de pedestal, China invade o manto da MPB com sonoridade ímpar, seguido por seus amigos e conterrâneos da Mombojó e Nação Zumbi. Misturando Rock, Bossa, Samba e tudo o mais o que a música permitir, Chinaman vem de mala e cuia pra São Paulo-SP, injetando sua música por todos os bares e festivais que encontrar pela frente. Como ele mesmo disse: “Vim, vou vendo e vou vencer”. Com vocês, CHINAMAN!

O menino arretado de Recife! A jóia rara. China, ou Chinaman (para os internautas) é um artista que se destaca pela inquietude e profissionalismo. Ex-vocalista da banda Sheik Tosado, referência que pode ser descartada, pois seu trabalho atual é merecedor de pedestal, China invade o manto da MPB com sonoridade ímpar, seguido por seus amigos e conterrâneos da Mombojó e Nação Zumbi. Misturando Rock, Bossa, Samba e tudo o mais o que a música permitir, Chinaman vem de mala e cuia pra São Paulo-SP, injetando sua música por todos os bares e festivais que encontrar pela frente. Como ele mesmo disse: “Vim, vou vendo e vou vencer”. Com vocês, CHINAMAN!

Vamos começar com Sheik Tosado. O que foi a banda na sua vida, em relação à interpretação, composição e crescimento?
O Sheik foi a grande escola. A minha primeira banda. Foi o primeiro contato que eu tive com o público, onde pude mostrar minhas canções. Aprendi a ser compositor, artista e interprete com o Sheik. Com certeza, foi a banda que me fez ver que ser músico era uma boa opção.
Vocês tocaram em Taubaté há alguns anos. O que achou do público da cidade e, como é tocar em lugares onde as pessoas ainda não conhecem o seu trabalho?
Foi massa esse show. Eu me lembro bem. Tinha uma galera e tal. E esse lance de não conhecer o trabalho é besteira. Quem não conhecia, conheceu naquele dia…e se gostou, deve ter ido na loja comprar o disco, ou baixado na net. Gosto do desafio de tocar pra quem não sabe como é meu trampo. Pois se o cara gostar, ele virá outras vezes no show.
Fale um pouco sobre a transição do álbum Um Só (2004) para Simulacro (2007).
Quando gravei o UM SÓ, eu morava no Rio (RJ). É um disco que saiu por uma gravadora e tal. Era um momento que eu andava muito só mesmo. Tinha saído do Sheik, estava bem mal e, no meio disso tudo veio o disco. Acho que reflete bem como eu tava na época. O SIMULACRO já é outra onda. Gravei em Recife, com a ajuda de todos os meus amigos. O disco saiu por um selo independente, o que foi mais fácil, pois podia conversar com o presidente do selo a qualquer hora. Não precisava agendar. Foi o disco que me deu mais prazer de fazer.
Colocando Sal nas Feridas é um desabafo sobre este período?
Sim. É uma música que eu fiz pra me dar estímulo, pra continuar trabalhando, independente do que acontecia a minha volta. Muita gente não entendeu minha saída do Sheik, mas quem me conhecia sabia tudo o que eu estava passando naquele momento difícil. E meus amigos sabiam que eu andava vivo…criando, fazendo coisas. Essa música pode ser um desabafo das coisas que eu tive que passar.
Como é a cena musical em Recife-PE? Aqui de São Paulo, temos a impressão de ter muita parceria e ser muito organizada. É assim mesmo?
É sim. Como não temos a grande mídia ao nosso lado, damos o nosso jeito. As bandas se ajudam bastante, e vamos levando nossas carreiras assim com dificuldade, mas sempre juntos e prontos para ajudar os amigos. O problema é que recife não tem rádio pra tocar nossa música, e temos poucas casas de show. Por isso, uma hora temos que vir pra SP tentar vôos mais altos.
E os festivais independentes do país, como você os analisa?
Acho bacana que eles existam, mas o problema dos festivais independentes é que quase nenhum paga cachê as bandas iniciantes. Isso eu acho um absurdo. Pensa bem: eles cobram ingressos, tem patrocínios e tal…e porque não pagam as bandas menores. Ia ser bacana se pagassem, pois serve de estimulo para as bandas. Acho que essas parcerias que eles fazem entre os festivais são uma grande panela. Vi uma matéria numa revista, em que o cara de uma banda falava mal desses festivais. Resultado: essa banda não toca em mais nenhum festival, só porque falou mal; e falou certo, disse o que eu estou dizendo aqui. É errado cobrar pelo seu trabalho?
Será que essa minha crítica vai me proibir de tocar nos festivais independentes? Tá parecendo até que o país está voltando para a ditadura. hahahaahahaha.
Quais são as suas impressões sobre o Manguebit, pelo o que você viveu e vive?
Junto com a Tropicália e a Bossa Nova, o Manguebeat é um dos maiores movimentos musicais do Brasil. Se você perceber, todo o país mudou musicalmente depois do Manguebeat. Marcelo D2 começou a misturar hip hop com samba, o Berimbrown, que é uma banda de Minas Gerais, aderiu ao funk com tambor de maracatu, enfim, quem começou a misturar tradição e modernidade foi o mangue. Foi muito forte em Pernambuco esse lance do mangue. Eu mesmo, só virei musico depois que tomei conhecimento disso. Antes, não dava nem pra pensar em tocar algum instrumento. A cidade não oferecia nenhuma consideração para os músicos. Hoje, nós contamos com o apoio do Governo, da Prefeitura do Recife, e somos respeitados no Brasil inteiro.
O Del Rey é uma banda de descontração. Podem surgir projetos futuros dessa formação? E o Rei Roberto Carlos já ouviu o som de vocês?
O Del Rey é uma banda que a gente montou para tomar cerveja. Hoje em dia as coisas estão melhores, tem até Whiski no camarim…hahahahahaa, mas não é uma banda com pretensões. Acho que vamos sempre fazer shows e só. Até porque Roberto nunca disse nada. E como é uma homenagem a ele, esperamos que uma hora, ele nos abençoe.
Você está envolvido com música, televisão, cinema, assim como outros artistas por aí. Essa convergência profissional é uma tendência do artista do futuro?
Cara, trabalhar com arte é isso mesmo, corre aqui, ali. Afinal de contas, musica, cinema, televisão, são formas de você expelir sua arte. Acho que essa coisa do Rockstar acabou. O artista de hoje tem que trabalhar muito se quiser chegar em algum lugar.
Você utiliza muito a internet como meio de divulgação. Fale um pouco sobre sua relação com ela e como este meio pode colaborar com novos artistas?
A internet é um negócio mágico. Você saberia quem é Mallu Magalhães se ela não tivesse bombado na net? E a dança do quadrado? A net nos possibilita isso hoje em dia, descobrir o novo na sala da minha casa. É genial. E o melhor, é livre, colaborativa. Tento seguir a risca esse conceito de colaboração na net, seja em arquivos de musica, textos, enfim, tudo o que você consegue trocar com os outros pontos espalhados pelo mundo é valido. Tem uma menina da Espanha que está compondo comigo via MSN. Cara, da pra acreditar? Quando nós poderíamos fazer isso? Sem contar que nos meus shows, as pessoas cantam as músicas que baixaram em seus Mp3 e tal.
Salve à internet!!!
Antes Recife era mais reconhecido pelo seu imponente carnaval, hoje a cena musical e de cultura popular está querendo tomar às rédeas. Você acha que as pessoas estão mudando de comportamento, dando mais valor à cultura não massificada?
Pra começar, o carnaval é a importância máxima da cultura popular no Recife. Você vê de tudo no carnaval, de Hard Core à Ciranda, Maracatu e Frevo, enfim, não existe essa coisa de tomar a rédea. Está tudo no mesmo contexto. O que eu acho é que as pessoas estão vendo outras coisas além do carnaval. Recife não é só frevo, não é só maracatu, existe muito mais do que isso. Agora as pessoas começam a perceber essas coisas.
O selo Candeeiro Records, do qual você faz parte, lançou recentemente o álbum Frevo do Mundo, revisitando frevos antigos na música de artistas atuais? Qual a importância de projetos como esse para Recife?
Um projeto como esse faz com que a gente não esqueça as nossas tradições, nosso passado. E mostra ao mundo que podemos reinventá-lo.

.::Quimera::.
Back to Top ↑