COLETIVO MATUTO
Com vocês, o COLETIVO MATUTO!
Quando esta edição do Quimera começava a ganhar corpo, no meio das pesquisas que fiz para a produção de uma das matérias, me deparei com um texto sobre os Coletivos. A idéia de coletivo é antiga. O primeiro sinal de coletivismo aconteceu na idade da pedra, com os homens da caverna. De lá pra cá (muito tempo), muitos coletivos foram criados, alguns se fortaleceram, outros nem nasceram, houve ainda os que se tornaram sindicatos e outras instituições. E o que se tira de bom da estrutura coletiva? As coisas ficam muito mais fáceis quando todos pensam juntos, e por isso, é importante refletir por que esta forma tão simples de se organizar, que deu início ao conceito de sociedade, se perdeu durante os milhões de anos desde sua origem.
Para falar do Coletivo Matuto é preciso falar sobre a origem de sua residência, por enquanto, oficial: a Internet. A história desse meio de comunicação inicia-se em meados dos anos 60 e inicio dos anos 70. E vale destacar: há males que vêm para o bem. Durante o período da Guerra Fria, a corrida pelos melhores armamentos e táticas de guerra possibilitou a criação de diversos mecanismos que nem chegaram aos campos de batalhas. Uma dessas invenções foi um sistema de rede que permitia aos militares a comunicação entre si. Uma invenção bombástica. Após o período de rumores da Guerra Fria, essa invenção bélica acabou sendo experimentada dentro de faculdades, criando um sistema de comunicação interna entre alunos. Estava criada a Internet que hoje conhecemos, e mais uma vez, a busca pelo coletivo fez com que o bem transformasse o mau.
Taubaté-SP está situada a 150 km da capital do estado e 300 km da “Cidade Maravilhosa”, o Rio de Janeiro. Assim como algumas cidades do Vale do Paraíba, Taubaté é cortada pela Rodovia Presidente Dutra, que desde sua criação se tornou a grande artéria distribuidora de culturas e costumes oriunda dos viajantes. Nesse contexto conturbado e fértil, tranqüilo e caótico que nasce o Coletivo Matuto.
O Coletivo Matuto surgiu como ferramenta para um homem só organizar as idéias criativas que matutavam em sua cabeça. Idealizado por Ifi, Felibrown, ou ainda, Felipe Rezende Santos, o Matuto segundo informações do Blog é: um agrupador de agentes culturais para ampliar a articulação e os contatos. Um espaço para o mapeamento e a difusão de artistas e pensadores em geral. O espaço agrupa músicos, poetas, escritores, artistas de todos os ramos e simpatizantes da arte, permitindo a troca de informações comuns.
“Cada pessoa é um estopim que estimula uma outra pessoa a ser estopim também, basta aguçar o que a pessoa tem em si”, Felibrown.
Um Blog. Apenas um Blog foi necessário para que uma força única se transformasse em força mútua. O espaço é livre, e melhor, é de graça. A primeira publicação do Coletivo Matuto foi o Manifesto Antropofágico, de Mário de Andrade, que deixam claras as intenções do Blog, agrupar e desconcertar. A partir deste primeiro ataque, e também divulgação, diversos textos e colaborações foram postados, dando início ao blog democrático. Devido ao aumento da coletividade, novos anseios passaram a permear as cabeças matutas, como uma futura Tv Matuto*, Rádio Matuto*, já que a Internet possibilita a convergência das mídias. É um projeto ainda em estudo pelos Matutos, mas com certeza servirá de apoio para muitos artistas se exporem para o mundo.
Mas por que Matuto?
A região do Vale do Paraíba desde o período do café ficou conhecida por suas grandes lavouras e seus habitantes, os caipiras, pessoas com costumes e ritmos diferentes da cidade grande, não muito compreendidos na época. Monteiro Lobato reforçou essa idéia com seu personagem Jeca Tatu, homem da roça e com pouco apetite para o trabalho. Mas o tempo passou e a sociedade também mudou. Hoje, ainda é possível observar resquícios da cultura caipira em trajes, sotaques e crenças, mas a preguiça foi deixada de lado. O Vale quer crescer, e por isso o nome COLETIVO MATUTO:
COLETIVO = que abrange ou compreende muitas coisas ou pessoas;
MATUTO = Homem do mato, da roça;
MATUTAR = pensar ou refletir sobre algo; cismar, ruminar.
Fonte: Dicionário Aurélio
Enfim, o Coletivo Matuto está agregando forças para crescer. Quem quiser colaborar acesse, colabore e faça parte desse projeto. Quimera apóia e divulgará sempre iniciativas que visam colaborar com a cultura e artistas taubateanos e do Vale do Paraíba.
Deguste: coletivomatuto.blogspot.com
* nomes fictícios criados pela reportagem, não reflete a idéia dos criadores do Coletivo Matuto.
A conversa sobre o Coletivo Matuto não poderia acontecer em outro lugar: um bar. As discussões que desencadearam nesta matéria foi realizada no “Bar do Coleta”, um bar com características antigas que garantem uma nostalgia. Cercados por bananas, suspiros, batatas, um baleiro e uma balança, chegamos a algumas frases interessantes, vejamos algumas:
“Uma noção de como uma idéia pode dar certo: se você não espera nada dela, ela é um sucesso. Se você acredita, ela já é um embrião de sucesso”.
“Arte é prestação de serviço”
“A gente produz cultura na mão dupla meio-homem, homem-meio”.
“A atitude coletiva é mais simples do que parece”.
“A coletividade determina um fio condutor que pode ser adaptado a diversos ideais”.
“Pessoas são magnéticas”.
* Participou da discussão coletiva Diego Barba, Felibrown e Gabriel Passareli.

